sábado, 19 de outubro de 2013

Baiano e os novos Caetanos - Baiano e os novos Caetanos (1974)

Soube da existência desse disco quando assisti o Quatro Coisas (de fato, um dos melhores canais que existem no youtube) sobre Chico Anysio. Por ser do Chico e Arnaud Rodrigues, a primeira coisa que eu pensei é que seria um álbum com letras engraçadas e cheio de humor, gracinhas e tudo mais. E como gosto muito disso tudo, fui atrás de ouvir. Acontece que só algumas vezes é possível ouvir palmas e risos, mas isso acontece em poucos momentos. 
Em geral, o disco apresenta músicas de ótima qualidade, que misturam diferentes gêneros como o samba, sertanejo e ritmos nordestinos. Em alguns momentos é possível perceber até a presença do rock progressivo, principalmente em Dendalei. As letras, em sua maioria, usam o bom humor para esconder as críticas à ditadura e ao governo.
Os destaques ficam para Ciranda, onde a narração de Baiano (personagem interpretado por Chico Anysio na banda) é feita sobre um ritmo calmo e agradável;Folia de rei, que mostra influencia da música sertaneja e de bandas progressivas nacionais dos anos 70; e Selva de feras, onde a influência nordestina fica explicita, principalmente pelo uso da sanfona.






sábado, 8 de junho de 2013

The Whispers - Love Story (1972)

O The Whispers é uma banda de R&B da década de 70, com uma levada do soul e um ótimo conjunto de vozes, que faz sentir todo o clima da época quando se tem em mente um estereótipo sobre música negra setentista. Love Story foi lançado em 1972, e trata-se de um disco que começa parecendo ser mais do mesmo, mas logo começa a misturar algumas coisas que o tornam interessante.
O álbum abre muito bem com a romântica Your love is so good, mas logo em seguida deixa a impressão que o disco inteiro será de uma melação cansativa.
As coisas começam a mudar em There's a love for everyone, onde além do destaque da voz de Wallace Scotty Scott, é possível perceber que, apesar de ser tratar de um álbum que fala sobre amor, a sonoridade do grupo foge do tradicional em alguns momentos, sendo que essa faixa tem até alguns momentos que passam perto do funk (que vai voltar a mostrar sua influência em Hopeless situation).
A partir daí o ouvinte acorda do sono inicial. Merece destaque também You fill my life with music, também pelo mesmo motivo da anterior; e o soul-melancólico-com-refrão-alegre-e-uma-guitarrinha-quase-bluegrass You're what's been from my life.





sábado, 18 de maio de 2013

Liverpool - Por favor sucesso (1969)

Por favor sucesso é o único disco da banda gaúcha Liverpool.  É difícil definir o gênero de som da banda, mas ela pode agradar os que gostam do tradicional rock inglês, MPB, o som do tropicalismo e, principalmente, psicodelismo.
Em geral o que mais chama a atenção no disco é a criatividade da banda e versatilidade ao misturar os estilos, fazendo com que por muitas vezes a música surpreenda fugindo do previsível. 
O vocalista, Fughetti Luz, apresenta uma voz agradável que consegue se adaptar à mistura de ritmos do Liverpool. Também fazendo com que as faixas não pareçam repetitivas estão Edinho Espíndola, na bateria, e Pekos, no baixo. O psicodelismo, na maioria das músicas, fica por conta da guitarra base de Marcos Lessa, e da guitarra solo de Mimi Lessa, que fazem as combinações entre si perfeitamente, tanto nos solos quanto nas bases, onde em diversas músicas a guitarra solo é bastante ativa.
Para os que gostam de MPB, as faixas mais indicadas são Você gosta e Planador. As faixas mais psicodélicas são Impressões digitais, Olhai os lírios do campo e Água Branca, que em alguns trechos tem uma sonoridade até que pesada, para a época, indo para um lado de bandas como era o Made In Brazil no final dos anos 60. Tão Longe de mim lembra o que era feito por bandas dos anos 60 como Os Brasas e The Brazilian Bitles.
Em relação às letras, apesar de ter um dos instrumentais mais sem graça do disco, a última faixa, Paz e amor, tem uma letra nacionalista que faz com que valha a pena ouví-la. Mas a música que mais merece destaque é 13º andar, que com toques cadenciados e uma levada lenta na bateria, unidas à uma letra simples, resulta em uma canção com um ar um tanto depressivo, mas muito interessante.






segunda-feira, 13 de maio de 2013

Silvinha Araújo - Silvinha (1971)

Silvinha é uma das cantoras mais importantes da Jovem Guarda, mas esse disco foge do que se espera quando se fala em Jovem Guarda. Gravado em 1971, o álbum sem título mostra músicas completamente influenciadas pelo som do início da década de 70, como o rock progressivo, com muito psicodelismo, e até com um pouco da sonoridade da Black Music.
Neste álbum Silvinha mostra uma voz bastante forte e aguda, que em alguns momentos chega a ter uma rouquidão no estilo de Janis Joplin, principalmente na versão com guitarras distorcidas de Paraíba, de Luiz Gonzaga (uma das melhores do disco). As letras, na maioria das vezes, são extremamente simples e diretas, como costumava ser com a maioria dos músicos da Jovem Guarda.
Os destaques ficam para Você já morreu e se esqueceu de deitar e Estou pedindo baby, que tem um ritmo dançante com forte influência da black music. Na versão de Risque, de Ary Barroso, com um instrumental psicodélico, Silvinha também mostra bastante potência em sua voz.






sábado, 20 de abril de 2013

Melanie - Gather me (1971)

O disco de 1971 já mostra pela capa que é de uma cantora comum dos anos 70: com um cabelo bagunçado, roupas de hippie, que com certeza toca no violão músicas para os fãs de Bob Dylan e Janis Joplin. Aí você começa a ouvir e é isso mesmo. Um som folk bem bonitinho, com uma voz agradável. 
A faixa Some day i'll be a farmer é como uma pré-Mallu Magalhães, tanto na voz, quando no modo de cantar, e até na letra sobre querer uma vida tranquila e monótona. A única diferença é que Melanie ousa chegar a tons mais altos, dando até uns gritos, coisa que a Mallu não costuma fazer.
Em Ring the living bell-shine a cantora segue um estilo um pouco diferente, com uma canção um pouco mais animada, onde sua voz foge da calmaria tradicional, deixando perceber que apesar de não utilizar sempre, ela tem uma capacidade vocal que poderia ser mais bem aproveitada. Porém, vale lembrar que a voz calminha, beirando a monguice, faz parte do folk, ela não poderia fazer diferente. 
Em geral Gather me não apresenta quase nada que já não tenha sido feita por outros tantos cantores de 60 e 70, mas para quem não procura novidade, e sim uma musiquinha agradável de se ouvir, é um bom disco.






quinta-feira, 18 de abril de 2013

Camille Yarbrough - The iron pot cocker (1975)

Esse álbum tem muito do que já se espera quando se vê um disco de uma cantora negra dos anos 70, e justamente por isso é muito bom. Com elementos do funk, soul e jazz, uma das coisas que mais chama a atenção é a forte presença do baixo. A voz de Camille varia entre um canto forte e algumas narrações. 
Em algumas faixas a sonoridade chega a ser um tanto psicodélica; como em All hid, onde ao misturar as narrações com a linha de baixo, que segue o estilo soul dos anos 60, a música fica com um clima bastante tenso.
As faixas que merecem destaque são Ain't it lonely feeling, uma música romântica com um pouco da melancolia do blues; e Take yo' praise, a melhor e mais conhecida do disco. Nela o baixo também tem muito destaque, a voz de Camille é bem explorada, e em geral a música já mostra influência do jazz e funk.






terça-feira, 16 de abril de 2013

Black Junior's - Break (1984)

Tive curiosidade de ouvir esse álbum porque soube que era o primeiro disco de RAP brasileiro. Depois descobri (por aqui)que, na verdade não se sabe exatamente onde foi o início desse estilo musical no Brasil. Mas sendo ou não o primeiro, Break é de grande importância para o RAP nacional. 
Neste disco é possível ouvir a sonoridade dos anos 80 e conhecer um pouco mais sobre o início do gênero no Brasil. Ao contrário do que é comum hoje em dia, as letras não falavam sobre crimes, racismo, violência, e tudo aquilo que ouvimos hoje. Na maioria das vezes eram letras românticas, cantadas em uma batida animada. 
Também ao contrário do que se pode ouvir hoje, estas letras românticas não eram como as de artistas como Emicida e Projota. Eram menos trabalhadas, mais simples, e pode-se dizer até que eram mais infantis. Mas provavelmente a ideia do disco era essa, afinal, os integrantes do grupo eram todos muito jovens. Não seria tão convincente ver um adolescente cantando letras complexas sobre amor.
O destaque fica para Mas que linda estás, o grande clássico do Black Junior's